Skip to content

maré alta

3 de dezembro de 2010

Hoje eu não peguei o ônibus. Hoje eu fui pra casa a pé. Sabe quando você quer largar mão de tudo e olhar o céu? Hoje foi um dia assim. Mas eu não apenas olhei pro céu – eu o admirei. Cada pedacinho de nuvem que se comprimia naquela imensidão azul era lindo. E eu lembrei dos seus olhos, que não são azuis (mas são lindos). Tropecei algumas vezes no caminho. Você sabe, eu sou a perfeita personificação do desastre. Mas, mesmo enquanto tropeçava, eu mantive meus pés no chão. Exceto quando aquela fração de segundo me ludibriou e eu voei por alguns instantes. E foi lindo. E eu acho tudo lindo, não é? Depois de muito chão eu finalmente cheguei em casa. Tudo escuro, tudo silencioso. Só aquele gato malandro que já veio pedindo colo com os olhos. E eu lembrei dos seus olhos, que também pedem colo (meu malandro). Sabe o que eu pensei no momento em que te olhei pela primeira vez? “Eu vou sair correndo”. É sério. Eu pensei que fosse sair correndo. Porque a) não podia acreditar que você fosse prestar atenção nos meus olhos castanhos (tão comuns) e b) porque seus olhos negros eram tão tentadores que tudo o que eu queria fazer era arrancar suas roupas e esquecer da minha vida. E foi o que eu fiz, não foi? O que nós fizemos.

Ah, hoje faz um ano e alguns meses. Tão rápido pra eles, tão intenso pra nós. Você continua usando suas camisetas de banda, seu cabelo comprido e a barba cerrada que faz cócegas quando você me beija (e você sabe, e você só quer me ver rindo). E eu, eu ainda uso aquele perfume doce que te grudou no meu pescoço, o meu cabelo comprido e aquela cara amarrada quando você não faz a barba. (Na verdade, eu adoro você de barba. Mas sem ela, eu posso ver melhor o seu sorriso. O seu sorriso me derrete). E então nós compramos um apartamento pequenino, só nosso, pra caber todo aquele amor gigante naquele espaço que a gente viu e amou e quis pra sempre. E é ali que nós vamos cozinhar no sábado à noite, enquanto eu ouço um samba antigo e você tenta me convencer de que eu fico bem sambando. E eu vou rir, e você vai rir junto e nós vamos sambar no mesmo ritmo (e no mesmo lado da cama). E os dias vão passar, eu vou ficar com medo da rotina, eu vou sufocar e querer começar tudo outra vez. E você vai deixar. Nós vamos ser aqueles jovens aventureiros e derretidos um pelo outro pro resto da vida. E vai ser lindo. (Eu acho que tudo é lindo).

Foi nisso que eu pensei enquanto voltava pra casa hoje. Eu não peguei o ônibus, como é de costume. Hoje eu vim a pé. Pra olhar o céu, olhar o mar que não existe em lugar algum além de lá longe. Longe, onde ficam meus pensamentos. Longe, perto de você. Que mesmo longe, é meu (a)perto. E eu te acho lindo. Eu acho tudo lindo. Talvez porque seja.

* Ao som de: O Teatro Mágico – Pratododia

Anúncios
3 Comentários leave one →
  1. 9 de dezembro de 2010 10:22 PM

    certa vez dissestes que queria participar do Duelo de Escritores.
    Já não acha que está mais do que na hora?
    Tá convidada pra próxima rodada, que será lançada sábado.

  2. 27 de dezembro de 2010 3:17 PM

    Boa participação, eu diria! Mandou benzão, apareça sempre ;P

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: