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conflito

13 de fevereiro de 2013

425553_10150577008963915_620885822_n_largeDepois da tempestade, a luz. Uma intervenção divina trouxe à tona todo o sentimento bom que seguia adormecido. Graças. Pelo menos essa parte da música eu consegui dançar.

Em conflito a isso, uma dúvida sutil paira no ar e enche meus olhos de fúria. Por mim, por ele, por quem nem existe (será que poderia existir?). Quão estúpido alguém pode ser a ponto de se olhar no espelho e confundir a própria imagem? Se um dia fui nobre, hoje me vejo cercada por cacos de um mundo que já não me pertence mais. Há tanto que sonho com sensações que não se tornem obsoletas… Há tanto que, ao mesmo tempo, torço por um final feliz distante daquele que foi proposto no início do caminho. Há de ser pecado – ou egoísmo, ou loucura minha – abrir mão dessa verdade? E se é mesmo verdade, por que me faz tão hesitante?

Perguntas, perguntas. Quando elas vão acabar?

 

sombras

6 de fevereiro de 2013

223488_331172783667309_401225447_n_largeComeçou com uma admiração boba (acho que fingida). Mais tarde, evoluiu pra um estágio de semi-inveja ou sei-lá-o-que-eu-esperava. Quando me dei conta, já não aguentava mais. Meu Deus, me tira daqui. Tentei ouvir os conselhos de quem já navegou por mais tempo que eu: seja forte, não desista, feche os ouvidos e siga na direção que os teus olhos alcançam. Mas eu falhei. A insegurança, o medo do novo, aquela típica hesitação de quem (acha que) não tem escolhas tomou conta de mim (e eu, acreditando nessa falta de escolhas, me escondi numa ingenuidade boba).

Foi então que a cena mudou, o palco ficou lotado demais e eu me senti em segundo plano. Sou de Leão, sabe. Não dá pra ser assim. Tirei o nariz do chão e tomei as rédeas da minha própria vontade. Falhei mais uma vez. Caí, tentei me arrepender, desempenhei meu maior e melhor papel (que eu odeio mais a cada dia, que me enoja, que me faz querer sumir). Deu certo – não pra mim. Continuei seguindo reto na estrada que leva a lugar nenhum. Será que vou chegar um dia?

Sentada em frente – aos lados, cercada – por quem me quer longe e perto ao mesmo tempo, me vejo mais solitária, apática, monótona. Os ponteiros giram bem devagar, rindo de mim, e todo o café do mundo não seria capaz de preencher o vazio no meu estômago. Eu poderia ser muito mais, entende? Eu poderia ser. Ponto. Pronto. E quem sabe eu seja? Não agora. Por enquanto, as estações mudam e eu continuo no mesmo lugar. Inerte, mas atenta; largada, mas sempre tentando me recompor. Quero juntar os meus cacos e fazer deles a minha morada. Se é preciso sentir cada flechada desse tique-taque sem fim, que seja assim. Mesmo sem luz, as sombras sempre aparecem para fazer companhia. Os cavalos-marinhos também.

*Depois de muito tempo, voltei. Ah, como é bela – e doída – a sede pelas palavras…

vestido rodado

9 de março de 2011

No clima atípico de outono, a menina sorria. Dançando contra o vento cristalino, as lágrimas de um futuro bom prometiam um dia bonito. De vestido rodado, pintura no rosto, unhas coloridas, a menina deixava-se levar.

– Me leva contigo, vento forte, que eu quero rodopiar.

*Ao som de: Novos Baianos – Mistério do Planeta